"Só se vê bem com o coração. O essencial é invisível aos olhos"
“Em 1942, Antoine de Saint-Exupéry escreveu este pensamento que contém a essência de seu clássico O Pequeno Príncipe e que permeia toda a sua obra, caracterizada pelo lirismo e por uma profunda reflexão sobre a condição humana. Ao longo dessas seis décadas, milhões de leitores se encantaram com esta e outras belas frases extraídas de seus textos.””Seus pensamentos sobre amor, amizade, felicidade, responsabilidade, força moral, beleza, solidão, criatividade e liberdade nos levam a refletir sobre nossa própria existência, nossos relacionamentos e o mundo em que vivemos.”
“Escritor premiado e traduzido em mais de 130 idiomas, o terceiro filho do Conde Jean de Saint-Exupéry e de Marie de Fonscolombe nasceu em 1900 em Lyon, na França.” (Observe-se que na mesma cidade nasceu o Codificador do Espiritismo – Allan Kardec)
“Com 26 anos tornou-se piloto pioneiro e foi um dos primeiros a voar à noite, em pequenos aparelhos a hélice, sem conforto ou segurança. As suas experiências e as aventuras dos legendários companheiros do correio aéreo, que criaram as primeiras rotas internacionais da Europa à África e à América do Sul, serviriam de inspiração para sua segunda paixão: a literatura.”
“Ao sobrevoar o deserto do Saara e os Andes, Saint-Exupéry pôde não apenas observar – e descrever – a beleza arrebatadora do céu coberto de estrela e da Terra, mas também refletir sobre os limites e a grandeza da natureza humana. Daí a força de seus escritos, recheados de passagens tanto de sua vida pessoal quanto profissional.”
“O acidente de avião no Saara em 1935 e até mesmo as raposas com que fez amizade no local em 1927, por exemplo, estão presentes na fábula de O Pequeno Príncipe. Já a paisagem dos Andes e a forte ligação com os companheiros embelezam trechos de Terra dos Homens. Sua luta para lidar com os inúmeros aspectos da natureza humana revelados durante a Segunda Guerra Mundial aparece em Cidadela, manuscrito inacabado que guardou com ele nos últimos anos de sua vida, assim como em Escritos de Guerra, uma coletânea de artigos, notas e cartas para a família e os amigos, produzidos entre 1939 e 1944 e publicados quarenta anos após a sua morte.”
Nosso desejo seria o de transcrever toda a obra e deixar ao leitor a satisfação de encontrar na literatura deste Autor, uma profunda sabedoria poética. Assim nos permitimos transcrever apenas alguns trechos, ao nosso próprio gosto, extraídos de suas principais obras e que estão resumidas no livro “Felicidade, Amor e Amizade – da Editora Sextante:
FELICIDADE
“Dar é lançar uma ponte por cima do abismo da sua solidão.” (Cidadela)
“É preciso que eu tolere duas ou três lagartas se quiser conhecer as borboletas.” (O Pequeno Príncipe)
“Fiz mal em envelhecer. Foi uma pena. Eu era tão feliz em criança...” (Piloto de Guerra)
AMIZADE
“As pessoas não tem mais tempo de conhecer nada. Compram tudo pronto nas lojas. Mas, como não existem lojas de amigos, elas não tem mais amigos.” (O Pequeno Príncipe)
“Aqueles que são diferentes de mim não me prejudicam, muito pelo contrário, eles me enriquecem. Nossa unidade se fundamenta em algo mais elevado do que nós mesmos – no ser humano... Pois ninguém quer ouvir seu próprio eco nem encontrar a própria imagem em um espelho.” (Piloto de Guerra)
"Só estou ligado àqueles a quem eu me dou. Só compreendo aqueles a quem me uno”. (Piloto de Guerra)
AMOR
“A experiência nos mostra que amar não é olhar um para o outro, e sim olhar juntos na mesma direção.” (Terra dos Homens)
“O amor não é pensar, mas ser.” (Piloto de Guerra)
“As paredes da prisão não podem confinar aquele que ama. Ele é de um império que não está nas coisas, mas sim no sentido das coisas, e zomba dos muros.” (Cidadela)
RESPONSABILIDADE
“As pessoas esqueceram esta verdade”, disse a raposa. “Mas você não deve esquecê-la: você se torna eternamente responsável por aquilo que cativa.” (O Pequeno Príncipe)
“É preciso exigir de cada um o que cada um pode dar. A autoridade se baseia antes de tudo na razão.” (O Pequeno Príncipe)
“Mas tu, ó sentinela, só tens a dominar-te a disciplina do cabo que te vigia. E os cabos, a disciplina que lhes impõem os sargentos que os vigiam. E os sargentos, a disciplina dos capitães que os vigiam. E assim por diante, até chegar a mim. Eu não tenho mais que Deus para me governar. Se duvidar Dele, será como uma porta falsa no deserto.” (Cidadela)
FORÇA MORAL
“As tempestades, a bruma e a neve vão incomodá-lo algumas vezes. Pense, então, em todos aqueles que já passaram por isso e diga para si mesmo: ‘o que eles conseguiram eu também posso conseguir’.” (Terra dos Homens)
“Vitória, derrota – estas palavras não tem sentido algum. A vida está por baixo dessas imagens e já prepara novas imagens. Uma vitória enfraquece um povo, uma derrota desperta outro. A derrota que sofremos hoje é talvez uma promessa da verdadeira vitória. Só o acontecimento em marcha é que conta.” (Vôo Noturno)
O ESSENCIAL
“É muito mais difícil julgar a si mesmo que julgar os outros. Se você consegue fazer um bom julgamento de si próprio, demonstra verdadeira sabedoria.” (O Pequeno Príncipe)
“Quando nos abandonamos, não sofremos. Quando nos abandonamos, mesmo à tristeza, não sofremos mais.” (Correio Sul)
“As pessoas grandes adoram números. Quando a gente fala de um novo amigo, elas nunca se interessam em saber como ele realmente é. Não perguntam: ‘qual é o som da sua voz? Quais são seus brinquedos preferidos? Ele coleciona borboletas?’ Mas sempre perguntam: ‘Qual é a sua idade? Quantos irmãos ele tem? Quanto pesa? Quanto o pai dele ganha?’ Só então elas acham que o conhecem.” “O essencial da vela não é a cera que deixa suas marcas, mas sim a luz que ela liberta.” (Cidadela)
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“A guerra marcou profundamente o autor, que deixou a França ocupada para viver dois anos exilado nos Estados Unidos. Em 1943, logo após a publicação de O Pequeno Príncipe, Saint-Exupéry se realistou na Força Aérea Francesa. Ele desapareceu sobre o Mediterrâneo em 1944, numa missão de reconhecimento. Seu corpo – assim como o de seu amado pequeno príncipe – nunca foi encontrado, mas suas palavras permanecem, para que adultos de todas as idades possam lê-las com os olhos e senti-las com o coração, na busca pelo entendimento daquilo que é essencial.”
Baseado na obra: Felicidade, Amor e Amizade: A Sabedoria na Obra de Antoine de Saint-Exupéry. Saint-Exupéry, Antoine. Tradução de Maria Luiza Newlands da Silveira. (et al). Editora Sextante. RJ, 2003.
por Jeferson Ricardo Spode Flores
Este artigo foi publicado originalmente em
http://www.portaljovem.com/conheca_mais/antoine_exupery.htm



