Por Jeferson Ricardo S. Flores[1] e Ivo José Triches[2]

O filósofo e político romano Plínio (Caius Plínius Caecillus Segundos), foi o autor deste provérbio que inspirou este nosso escrito. Tal provérbio foi extraído do Dicionário de máximas e expressões em latim, cuja autora é Christa Pöppelmann. No Brasil foi publicado pela Editora Escala. 

Na ciência da Administração muito já se escreveu e se escreve até hoje sobre a importância do foco. Há inclusive livros com esse título. Contudo, lermos isso diretamente na língua da sabedoria – o Latim – é mesmo um bálsamo à nossa alma. 

Isso, de certo modo, evidencia que escrever ou falar sobre essa temática, não é nenhuma invenção moderna. Que os antigos já haviam percebido o quanto é relevante nós não querermos “abraçar o mundo”. Que é melhor concentrarmos nossas energias em uma ou duas coisas. 

Uma das razões que enfraqueceu o império napoleônico, foi o fato dele ter iniciado várias frentes de batalha ao mesmo tempo. Há outros exemplos na história que evidenciam isso. 

Por que de modo geral quando assumimos muitas coisas ao mesmo tempo, não fazemos nada direito? Porque isso dispersa nossa energia, nossa concentração, nossa integridade. Ficamos energeticamente volúveis, vulneráveis, instáveis. Portanto, sujeitos às interferências, às falhas, aos equívocos. Ajustar bem o seu foco, mesmo que tenha mais de uma atividade para fazer é primordial. Isso te dá força concentrada, potência, fluxo energético. 

Se você partir do pressuposto de que a principal de todas as escolhas é escolher-se, é fundamental que seu foco esteja nessa direção. Escolher uma profissão porque lhe fará ganhar mais dinheiro ou lhe proporcionará mais status, fará com que seja muito difícil você manter o foco nisso. Isso porque ao longo dos dias compreenderá que o fardo é muito pesado. O custo será maior que o benefício à sua alma. 

Para que compreenda melhor o que estamos querendo dizer, lançaremos mão de uma analogia. Escolher-se é fazer aquilo que faz bem à sua alma. À medida que você começa a se especializar nisso, perceberá que é semelhante àquele que cava um poço. Quanto mais ele cavar, mais conhecerá desse poço, mas isso não significa que não possa também conhecer o que há ao redor desse poço, do lado de fora, etc. Em outras palavras, não dá para querer fazer mestrado, lecionar, coordenar um curso de graduação, ser presidente de partido político, ter filhos para cuidar e estar terminando uma especialização ao mesmo tempo. Notoriamente que isso não é uma ciência exata ou radical, 08 ou 80, mas saber com clareza o que se quer, como se quer chegar lá, do que devemos abrir mão é muito importante. 

Para nós, tão difícil quanto escolher-se é sustentar a escolha, ou seja, é fazer as renúncias necessárias para que você realize o que quer, consiga o que quer conforme o foco inicialmente escolhido. A opção que se apresenta fora do foco é como se fosse um teste, uma “tentação” para verificar até que ponto você está ou não comprometido com aquilo que deseja. 

O que acontece, numa explicação do ponto de vista energético, é que o foco é uma concentração de energia em direção a determinada situação desejada e para isso, ganhamos impulso, potência e velocidade rumo ao que queremos. 

1. Diante da escolha principal há dúvidas 

Cremos que para você também seja assim: às vezes nos vemos em situações conflitantes, que geram crises ou dificuldades de escolha e posicionamento. Por diversas vezes entendemos que quando nos posicionamos, situações e oportunidades diferentes aparecem, o que faz com que fiquemos confusos. Como se fossem sinais de caminhos alternativos e nós, por imaturidade e pouca clareza destes processos, acreditamos que seja possível seguir os dois ou vários caminhos em paralelo sem maiores consequências. É a falta de uma consistência e clareza do foco principal em nossa vida que faz com que titubeemos e acabemos cedendo ao aceitar outras opções e escolhas que não são as nossas ou que estejam alinhadas ao nosso foco. 

Entendemos que é fundamental você perceber que há estradas que às vezes você precisará percorrer por tempos mais ou menos longos em paralelo, que serão compartilhadas com outros companheiros de jornada, mas que, em algum momento talvez você venha a se desligar desse comboio para pegar outra estrada, um atalho, enfim, um trevo que te leve a outro lugar existencialmente melhor. 

Use sua energia para construir, nem que seja para se reconstruir, nem que seja para planejar, afinal, construção pressupõe também planejamento e projetos. Veja o exemplo do leão: ele é manso, porque guarda todas as suas energias para o foco dele, aquilo que ele sabe fazer melhor do que ninguém: dar o bote no momento certo, rugir de forma estrondosamente potente, enfim, ser o rei da selva. Em quê você quer concentrar toda a sua energia? 

2. Considerações finais 

O fato é que não dá para “assobiar e chupar cana”. Estamos convencidos que é melhor nos especializarmos em uma determinada profissão, por exemplo, que nos faça bem e termos a coragem de dizermos não a tudo aquilo que serve como tentação de uma vida fácil. 

Saber dizer não é fundamental para aquele que deseja ter foco na vida. Se ao escolhermos fazer algo que seja bom para nós e bom para a humanidade, então nossas alegrias não serão egoísticas e passageiras. Ao servirmos a humanidade, qualquer que seja a forma e o tamanho da contribuição, nos eternizaremos no coração daqueles para os quais contribuímos para que pudessem escolher-se também. 

Nosso desejo é que esse provérbio seja um encarte para sua alma. E o que isso significa? Aprendemos recentemente com Lúcio Packter – propositor e principal sistematizador da Filosofia Clínica, que isso é semelhante à casca de um ovo, ou seja, fazer um encarte na alma é envolvê-la com algo que sirva para evitar que ela se disperse com coisas que nos causarão dores existenciais. Por isso é bom ao menos uma vez por mês dizer a si mesmo:multum, non multa. Isso tem o efeito de um encarte e ajuda a manter-se no foco. 

* publicado originalmente em http://itecne.edu.br/ivo/

[1] Jeferson Ricardo S. Flores é formado em Administração com MBA em Gestão Empresarial e Especialização em Inteligência Multifocal; atualmente cursa Filosofia Clínica no Centro de Cascavel Paraná. 

[2] Ivo José Triches é formado em Filosofia. Possui três Especializações e Mestrado. Atualmente é Diretor do colégio e da Faculdade Itecne de Cascavel. É também o Professor titular do Centro de Filosofia Clínica em Cascavel no Paraná. 

COMO TER SAÚDE FINANCEIRA


Não posso deixar de compartilhar um artigo tão interessante como, aliás, são todos do Stephen Kanitz.

É simplesmente a tradução do meu pensamento hoje. Vale a pena conferir!


A CORAGEM DE COBRAR CARO


Meu médico me recebeu todo envergonhado pelo atraso de duas horas na consulta marcada. "Doutor, eu não estou irritado pela espera porque o senhor é simplesmente o melhor médico do país, e eu não sou bobo.
Prefiro esperar a consultar o segundo ou o décimo melhor especialista da área."Isso o tranquilizou."Eu só acho triste que o melhor médico deste país esteja cobrando o mesmo preço que os outros, tendo de trabalhar o dobro, sem tempo para estudar e ver a família.Eu, palestrante que sou, cobro dez vezes o preço desta sua consulta, só que nunca chego atrasado." concordou e balbuciou a seguinte frase, que me levou a escrever este artigo."Tenho medo de cobrar mais do que os meus colegas. Eles ficariam com inveja, falariam mal de mim, seria um inferno." 
No Brasil, a maioria dos empregados e profissionais no fundo tem medo de pedir um aumento de salário ou de cobrar mais caro.
Cobrar mais significa criar um cliente mais exigente, que irá reclamar toda vez que o serviço não corresponder ao preço.Cobrar menos é sempre a saída mais fácil, dá muito menos problemas, menos reclamações, como no meu caso.
É preciso ter coragem para cobrar mais e assumir as responsabilidades inerentes. A maioria prefere o comodismo e a mediocridade do "preço tabelado".Só que, se cobrar o mesmo que os colegas menos competentes, você estará roubando clientes deles, e é isso que cria inveja e maledicência.Você estará fazendo "dumping profissional", estará sendo injusto com eles e consigo mesmo.  Eu sei que é difícil cobrar mais caro, mas alguém tem de dar o exemplo, mostrar aos outros profissionais o caminho da excelência, implantar novos padrões, como pontualidade, por exemplo.Você será o guru da nova geração, e a inveja que terão de seu novo preço fará com que eles passem a copiá-lo.E, à medida que seus colegas se aprimorarem, sua vantagem competitiva desaparecerá e você terá de reduzir o preço novamente ou então melhorar ainda mais seus serviços. 
Somos essa sociedade atrasada porque, entre nós, cobrar caro, ganhar mais do que os outros é malvisto pelos nossos intelectuais, políticos, líderes religiosos e professores de sociologia.
O paradigma de sucesso deles é cobrar pouco.Melhor ainda seria não cobrar, oferecendo de graça ensino, saúde, segurança, cultura, aposentadorias, remédios, comida, dinheiro, enfim.
De graça, o povo não tem como reclamar dos péssimos serviços, os alunos desses professores não têm como criticar as péssimas aulas. "De cavalo dado não se olham os dentes."Se alguma coisa a história nos ensina é que o "tudo grátis" traz consigo a queda da qualidade dos serviços públicos, a desvalorização do serviço, o desprezo pelo povo nas filas, a exclusão social, a corrupção e a desmoralização de todos os envolvidos. O programa Bolsa Escola foi criado no governo do PSDB como uma forma inteligente de incentivar as mães a manter os filhos nas péssimas aulas do ensino público. Quando o estímulo deveria ser aulas interessantes a que nenhum aluno curioso iria faltar.
Nós administradores já descobrimos há tempos que refeições grátis para funcionários não são valorizadas, e a qualidade despenca.Por isso, cobramos algo simbólico, 10% a 20% de seu valor.Se o ensino fosse cobrado, em pelo menos 10% do valor, teríamos pais de alunos reclamando do péssimo ensino público e gerando pressão por melhoria e redução de custos.Dizer que nem isso dá para pagar é mentira – 10% não chegariam a 20 reais por mês.
Tem muito pai que faria trabalho extra pelo orgulho de saber que foi ele quem custeou a educação dos filhos, e não a caridade estatal.Se temos falta de recursos em educação, por que não cobrar pelo menos 10% do valor? Seria falta de coragem ou simplesmente vergonha? Precisamos mudar a mentalidade deste país, uma mentalidade que incentiva a mediocridade, e o medo de cobrar pelos serviços, por óbvias razões.
Se você acha que cobrar caro e ficar rico é politicamente incorreto, como muitos professores têm ensinado por aí, doe o adicional pelo meu site www.filantropia.org.
Ou então passe a trabalhar menos, volte para casa mais cedo e curta sua família.Mas não faça a opção pela pobreza, não tenha medo de cobrar cada vez mais.Caso contrário, continuaremos pobres e medíocres para sempre.Stephen Kanitz é formado pela Harvard Business School (www.kanitz.com.br)Editora Abril, Revista Veja, edição 1979, ano 39, nº 42, 25 de outubro de 2006, página 28

A EVOLUÇÃO HUMANA

Recentemente li o livro PORQUE A GENTE É DO JEITO QUE A GENTE É? do Consultor Eduardo Ferraz publicado pela Editora Gente. Transcrevo neste artigo algumas lições apreendidas com os estudos do autor. Recomendo a sua leitura acompanhado de outras referências que tratam de estudos sobre a personalidade e autoconhecimento, a exemplo do livro DESCUBRA SEUS PONTOS FORTES da Editora Sextante, o qual postarei um artigo em breve aqui. Como são muitas lições e aprendizados, hoje postarei apenas uma parte do livro que trata especificamente sobre a Evolução Humana. Seguem algumas idéias de Eduardo Ferraz no livro citado: 

O SER HUMANO E OS PRIMATAS 
O primatólogo Frans de Waal diz que o Homo sapiens parece, se move, respira, tem a fisiologia e também uma mente parecida com a dos primatas e afirma que “consciente ou inconscientemente exibimos expressões faciais e comportamentos sociais em muitos casos idênticos ao de chimpanzés”. Assim como os humanos, chimpanzés lutam pela liderança, conspiram em busca de apoio, montam complôs, têm inveja, sentem medo e são egoístas. 

Para entender melhor essa questão sugiro que o leitor assista o vídeo postado aqui no blog no artigo PRIMEIRO ENCONTRO ENTRE UM HOMEM BRANCO E TRIBO NÔMADE

Pesquisadores que estudam o DNA de grandes primatas, estimam que entre 5 e 7 milhões de anos atrás um grupo de animais da mesma espécie se dividiu e deu origem a 3 grandes linhagens: os gorilas, os chimpanzés e os humanos. Uma das conclusões é de que o código genético dos humanos é 98,5% idêntico ao dos chimpanzés. Isso mostraria como as duas espécies são muito próximas e, portanto, têm uma origem comum. O processo de seleção natural, que culminou nos humanos atuais, foi tremendamente complexo, lento, desgastante e persistiu por mais de 200.000 gerações. 

Entre 150.000 e 200.000 anos atrás, a evolução gerou uma “nova versão” do Homo erectus: a nossa atual espécie, o Homo sapiens. Essa versão semiacabada do ser humano ainda tinha o cérebro um pouco menor que o atual, mas já dominava o fogo e fabricava ferramentas de pedras polidas e afiadas. 

O SER HUMANO ATUAL 
A configuração física e mental do ser humano atual começou seu último estágio de evolução há cerca de 50.000 anos “apenas”. Os dados arqueológicos mostram que nessa época nossos ancestrais viviam em bandos de 20 a 30 indivíduos. Eram caçadores/coletores, deslocavam-se o tempo todo e tinham pouquíssimos filhos, porque era difícil alimentá-los. Conviviam em ambientes extremamente perigosos. Enfrentavam escassez de alimentos, clima gelado e predadores ferozes. Nossos ancestrais tinham menor força física, menor velocidade, dentes pequenos, olfato rudimentar e visão limitada quando comparados aos predadores, e mesmo aos grandes herbívoros. Tampouco voavam ou respiravam debaixo d´água. Seus filhotes demoravam anos para se virarem sozinhos, enquanto um filhote de zebra ficava independente em semanas, o filhote de leão, em meses. 

Ainda assim, com todas essas desvantagens, o ser humano conquistou um feito que nenhuma outra espécie de grande porte jamais conseguiu. Adaptou-se a todos os ambientes do planeta: desertos, geleiras, montanhas, florestas e savanas. Dominou o mundo devido a um grande diferencial: o aumento e o desenvolvimento do cérebro. 

Nessa época o ser humano provavelmente desenvolveu a habilidade de construir abrigos em climas gelados e de se comunicar verbalmente, e começava a ter uma constituição física e mental muito parecida com a que tem hoje. Usava melhor o cérebro, mas ainda agia como animal. 

A evolução se deu lentamente, com os humanos se espalhando pelos cinco continentes, mas ainda vivendo como nômades, em pequenos bandos, até que, finalmente por volta de 13.000 anos atrás, aconteceu um fato que mudou de forma espetacular seu estilo de vida. Terminou a última Era Glacial e começou o que os geólogos chama de Era Recente. 

A temperatura média do planeta subiu, geleiras descongelaram-se, solos ficaram mais férteis e a quantidade de alimento aumentou. O homem deu início à agricultura rudimentar, espalhando e colhendo sementes de trigo e arroz. Os primeiros animais, como a cabra e o porco, começaram a ser domesticados. Nossos ainda pouquíssimos ancestrais começaram a ficar sedentários. Os pequenos bandos começaram a se agrupar para viver em aldeias. Com a agricultura e a criação, era possível ter mais filhos. Teve início a propriedade privada e, com ela, surgiram a luta pelo poder, os chefes, a burocracia, os níveis hierárquicos e o crescimento demográfico. Em suma, as bases da sociedade organizada.

O Cientista Robert Winston faz uma comparação da história humana com o comprimento de uma corda, nas seguintes proporções: 

· 5 milhões de anos (quando começamos a jornada) equivalem a cerca de 100 metros de corda; 

· 13.000 (teve início a agricultura e, portanto, as primeiras aldeias) equivalem a 20 centímetros; 

· 100 anos (quando começaram os avanços tecnológicos) equivalem à ponta de um lápis. 

ESTUDOS DO DNA 
Como se vê, o ser humano tem apenas cerca de 0,001% de sua história como “gente minimamente civilizada”. Portanto, em 9,999% dessa jornada, o ser humano foi um animal primitivo que, muitas vezes, esteve próximo da extinção. 

Com os estudos do DNA nos últimos 20 anos tem se concluído que não há raças, que somos todos, rigorosamente da mesma espécie. 

Entre 150.000 e 200.000 anos atrás, as pressões ambientais foram tão extremas que poucas centenas de indivíduos sobreviveram. Quando estavam muito, mas muito próximos da extinção total algo mudou. Esse pequeno grupo de ancestrais conseguiu reproduzir-se, espalhar-se e dominar o mundo. Somos todos descendentes desses pouquíssimos sobreviventes pré-humanos. 

O autor mostra que as pressões às quais o ser humano foi exposto durante 5 milhões de anos de evolução deixaram nele fortíssimas marcas físicas e mentais. Assim, essas características ainda se manifestam em forma de pensamentos, comportamentos e ações semelhantes àquelas que tinham nossos ancestrais. Sucesso significava interpretar rapidamente o ambiente para permanecer vivo. Para sobreviver, o homem obrigava-se a pensar em curtíssimo prazo, e quase nunca a planejar. 

O corpo do ser humano moderno reage instintivamente como reagia há milhares de anos. Esses instintos continuam muito fortes! Instintos são comportamentos que não são resultado do aprendizado nesta geração, mas da evolução da espécie. 

A neurocientista Jill Taylor explica que as “camadas mais profundas do córtex cerebral constituem as células do sistema límbico. São essas células que o homem tem em comum com outros mamíferos e, em especial, com seus antepassados pré-humanos. É a área do cérebro chamada de reptiliana ou cérebro emocional.” 

O interessante é que o sistema límbico funciona durante a vida inteira, mas nunca amadurece. Quando nossos sensores emocionais são ativados (situações que acionam os instintos), agimos da mesma forma que nossos ancestrais das cavernas, ao tomar um grande susto, por exemplo. Essas reações foram impressas no ser humano, há milhares de anos. 

Em 2001, a conclusão do Projeto Genoma concluiu que o código genético humano tem uma lista de mais de 3 bilhões de letras em diferentes combinações, e nesse código está a receita para o desenvolvimento físico e mental da pessoa. De cada 10.000 letras de nosso código genético, apenas uma letra será diferente de uma pessoa para outra. Essas minúsculas diferenças respondem por grande parte das diferenças entre as pessoas, tais como altura, cor dos olhos, predisposição para algumas doenças, personalidade e centenas de outras características. Como diz Eduardo Ferraz, uma letra a cada 10.000 nos faz diferentes, mas 9.999 letras nos fazem iguais.



Esse resultado final extremamente elaborado, que somos nós seres humanos, levou milhões de anos para ser preparada, não sendo tão simples alterar alguns dos elementos que compõem esse resultado. Carregamos uma bagagem genética que já vem pronta e que somos praticamente “obrigados” a usar pela vida toda. Não podemos descartá-las de uma hora para outra mas podemos escolher, deixar de usar algumas, usar outras com maior frequência, ou combiná-las num novo e particular estilo de vida mais saudável e civilizado. 

A NECESSIDADE DE AUTOCONHECIMENTO
Na Pré-história o estresse ocorria em situações extremas. O estresse atual virou estilo de vida. A competição por espaço profissional, a etiqueta social, a obcecada procura pelo acúmulo de bens, dentre outras necessidades, são relativamente recentes – menos de 13.000 anos – e ainda estamos nos acostumando a elas. Leia os artigos com base no livro QUEM QUER SER FELIZ? 

Para entender mais sobre a necessidade de autoconsciência sugiro a leitura do artigo O HOMEM À PROCURA DE SI MESMO. 
Qual tem sido o efeito do aumento considerável de catástrofes, desastres ambientais e situações de convivência urbana cada vez mais drásticas como assaltos, seqüestros, vandalismo coletivos, revoltas populares? Não estaríamos, uma vez mais, à beira de um novo salto evolutivo em que temos que aprender a nos adaptar para não sermos extintos? 
Caso essa pergunta lhe pareça um pouco exagerada, sugiro que leia o artigo O PALHAÇO DE KIERKEGAARD E A CRISE CLIMÁTICA. 
(adaptado do Livro: Porque a Gente é do jeito que a Gente é? Do autor Eduardo Ferraz. Editora Gente)

PRIMEIRO ENCONTRO ENTRE HOMEM BRANCO E TRIBO NÔMADE

No vídeo abaixo (primeiro de uma série sobre esses nativos), disponibilizado pelo Jornal Opção, o diretor belga Jean-Pierre Dutilleux e sua equipe, foi registrado o primeiro encontro de integrantes da tribo Toulambi com o “homem branco”.

A Tribo Toulambi é a tribo nômade mais isolada do mundo. Os seus habitantes são nativos da Papua-Nova Guiné,  na Oceania. Eles tiveram seu primeiro contato com europeus em 1976.
As  suas reações ao ver um homem branco são emocionantes.  Preste atenção na pureza dos olhares e expressões! Um misto de curiosidade e espanto move-os, como se ali encontrassem um grande perigo. Eles avançam e recuam, procurando sempre ficar a uma distância segura. Com a respiração acelerada,  o medo sempre presente, aproximam-se com cuidado e desconfiança, e,  quando vencem a resistência inicial, passam a mão, sentem os músculos do desconhecido para, enfim,  acreditar que aquele homem é igual a eles por baixo daquela pele tão alva. Depois eles tocam seguidas vezes  em várias partes do corpo (braços, pernas, cabelo), como se quisessem garantir que eles são realmente ‘de verdade’.  Dá impressão que eles pensaram que se tratava de um encontro com alguém morto, tanto assim que, logo depois de perceber que o humano estava vivo, eles tentaram limpar a pele pensando se tratar de cinzas ou algo do tipo.
Interessante ver como eles reagem ao primeiro contato com o espelho (literalmente um artefato de outro mundo para eles), objetos industrializados (facas, objetos de plástico). E, mais adiante no vídeo,  quando o homem branco serve arroz para eles nada incrível acontece até que ele adiciona sal, então o gosto deixa o “índio” surpreso. Momento mágico!

Agora, o mais tocante e bonito é que  um aperto de mãos, um dos mais antigos gestos da história da humanidade, rompe o medo e os une.

É um exercício interessante, colocar-nos na situação deles. Como seria ver alguém diferente do que estamos acostumados a ver... seja em sua aparência ou em sua cultura.

O Futuro da Conectividade Global

Muitas pessoas estão descobrindo a internet e a cada dia todos somos surpreendidos pelo potencial de mudança que ela carrega. 
Muitos também estão subestimando....Quanto mais pesquiso, mais fico maravilhado com a revolução global que a internet está provocando. Acredito que ela seja hoje a principal ferramenta ou veículo de mudança e transição para um planeta melhor!
Você já pensou o impacto que seria se todos usássemos nossos computadores e nossas conexões, nossas redes para propagar boas notícias, boas iniciativas, para gerar prosperidade, renda, conhecimento e aprendizado a um número gigantesco de pessoas e nos mais diferentes locais do mundo? Que tecnologia pode ser mais limpa que a Tecnologia da Informação e a comunicação digital? Que forma mais inteligente e evoluída de trabalhar podemos encontrar do que compartilhar conhecimento e crescer com isso sem danificar o meio ambiente, sem extrair recursos ou explorar a terra? 
Desconheço veículo mais democrático que a internet, que permite que pessoas aparentemente isoladas rompam com as fronteiras físicas, mostrem a realidade local de onde vivem e contribuam para as mudanças que todos precisamos ou queremos ver. Talvez seja um pouco disso o que a UNICEF vêm nos chamar a atenção com este vídeo, mostrando que há um empowerment digital poderoso em andamento. 
E você, tem usado o potencial do seu computador e da sua internet para gerar algum tipo de serviço à comunidade ou em favor de um propósito nobre?

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